Sentir-se exausta por acordar às 2h, 3h ou 4h da manhã é uma queixa muito comum na transição da menopausa. Entender por que isso acontece é o primeiro passo para dormir melhor—sem promessas milagrosas, mas com estratégias práticas que funcionam.
O que muda no corpo e no cérebro durante a menopausa
1) Queda de estrogênio e progesterona
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Estrogênio ajuda a regular a temperatura corporal, o humor e a qualidade do sono. Sua queda aumenta a instabilidade térmica e a sensibilidade a despertares.
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Progesterona tem ação levemente sedativa (via GABA). Níveis mais baixos reduzem aquela “sonolência boa” da noite.
2) Ondas de calor e suores noturnos
Variações bruscas de temperatura interna acionam microdespertares. Mesmo quando você “não lembra” da onda de calor, pequenas mudanças térmicas já são suficientes para te acordar.
3) Relógio biológico, melatonina e cortisol
A melatonina tende a cair com a idade e a curva do cortisol pode ficar mais irregular. Resultado? Sono mais leve, despertares na segunda metade da noite e dificuldade para “desligar a mente”.
4) Vias urinárias e assoalho pélvico
A redução de estrogênio afeta mucosas e tônus do assoalho pélvico, favorecendo noctúria (vontade de urinar à noite). Acordar para ir ao banheiro vira gatilho de insônia de manutenção.
5) Humor, ansiedade e estresse
Flutuações hormonais podem intensificar ansiedade e ruminação mental na madrugada. O cérebro entra no modo “lista de tarefas”.
6) Apneia do sono (subdiagnosticada em mulheres)
Com a idade e mudanças na distribuição de gordura, cresce o risco de apneia obstrutiva do sono—um vilão de despertares e cansaço diurno. Sinais: ronco alto, pausas na respiração, boca seca ao acordar, dor de cabeça matinal.
7) Dor musculoesquelética
Alterações de colágeno, articulações e músculos podem gerar desconforto noturno, fragmentando o sono.
8) Estilo de vida e hábitos
Cafeína tarde, álcool à noite, telas brilhantes e treinos intensos muito tarde elevam cortisol e atrasam o sono.
Como voltar a dormir melhor: estratégias simples e eficazes
Rotina “90-60-30” antes de deitar
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90 min antes: finalize tarefas e um jantar leve (com proteína + carboidrato complexo).
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60 min: banho morno e luzes mais baixas (luz quente).
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30 min: pare telas e foque em rituais calmantes: leitura leve, diário de preocupações, oração, meditação guiada ou respiração 4-7-8.
Se despertar, evite alimentar os pensamentos que vem, geralmente as preocupações, fale pra você mesmo: "não quero pensar nisso agora, amanhã eu penso ou resolvo".
Ambiente que ajuda (sobretudo contra ondas de calor)
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Quarto fresco (em geral 18–22 °C), ventilador ou climatização, pijamas de algodão e roupa de cama em camadas.
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Tenha à mão uma garrafinha de água, uma fronha extra e uma almofada gel para nuca/pescoço.
Higiene do sono que funciona
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Luz da manhã por 15–20 min (ajusta o relógio biológico).
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Exercício regular (ex.: Pilates, caminhada, musculação); evite treinos muito intensos nas 2–3h antes de dormir.
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Cafeína: corte após 14–15h.
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Álcool: pode até “dar sono”, mas fragmenta o sono; evite à noite.
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Líquidos: reduza nas 2–3h antes de deitar para diminuir idas ao banheiro.
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Se acordar no meio da noite, não pegue o celular. Faça respiração lenta, varredura corporal (body scan) ou um áudio de relaxamento curto.
Chás & suplementos (uso responsável)
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Chás noturnos: camomila, melissa/erva-cidreira ou lavanda podem ajudar a relaxar.
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Magnésio (glicinato): 200–400 mg à noite pode favorecer relaxamento.
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Melatonina: 0,5–1 mg, por tempo limitado, ajuda a reajustar o relógio (consulte seu médico).
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Glicina (3 g) ou L-teanina (100–200 mg) antes de dormir podem melhorar a qualidade do sono em algumas pessoas. (O caldo de ossos é rico em glicina) Veja a receita aqui...Como fazer caldo de Ossos
Sempre converse com seu médico, especialmente se usa outros medicamentos ou tem condições de saúde.
Sempre converse com seu médico, especialmente se usa outros medicamentos ou tem condições de saúde.
Ondas de calor: manejos rápidos
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Respiração lenta (inspire 4 s, expire 6–8 s por 2–3 min).
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Resfriar pontos-pulso (nuca, pulsos).
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Evite cobertores muito pesados; prefira camadas fáceis de remover.
Quando considerar tratamento médico
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Ondas de calor/suores intensos que prejudicam a vida diária.
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Insônia crônica (3+ noites/semana por 3 meses).
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Sinais de apneia (ronco, engasgos, sonolência diurna).
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Humor: ansiedade/depressão persistentes.
Opções com seu médico:
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Terapia hormonal (TRH) pode reduzir ondas de calor e melhorar o sono em mulheres elegíveis.
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Terapia cognitivo-comportamental para insônia (CBT-I): tratamento não medicamentoso com excelente evidência.
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Opções não hormonais para vasomotores (alguns antidepressivos, gabapentina, clonidina) podem ser consideradas caso a caso.
Checklist rápido para colar na cabeceira
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Quarto fresco + roupas de algodão
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Sem telas 30 min antes
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Cafeína só até 14–15h
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Rotina 90-60-30
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Exposição à luz da manhã
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Reduzir líquidos 2–3h antes
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Técnica de respiração pronta para a madrugada
FAQ
É normal acordar sempre por volta das 3h?
Bastante comum. Nesse horário, o sono tende a ficar mais leve e a curva do cortisol começa a subir. Com oscilações hormonais, o cérebro desperta com mais facilidade.
Posso tirar soneca?
Se precisar, 20–30 min no início da tarde. Sonecas longas ou tarde podem piorar a insônia.
Exercício à noite atrapalha?
Movimento leve/moderado (ex.: alongamentos, yoga suave) pode ajudar. Evite treinos intensos perto da hora de dormir.
Um plano de 7 dias para testar agora
Dia 1: Organize o quarto (temperatura, ventilação, camadas de roupa de cama).
Dia 2: Programe o “desligar telas” 30 min antes e escolha seu ritual (respiração, oração, leitura).
Dia 3: Caminhada/Pilates e luz da manhã por 15–20 min.
Dia 4: Ajuste cafeína (corte após 15h) e álcool (evite à noite).
Dia 5: Jantar leve até 2–3h antes de dormir + reduzir líquidos noturnos.
Dia 6: Treino de respiração 4-7-8 antes de deitar e se acordar na madrugada.
Dia 7: Revise o que funcionou e, se ainda assim o sono estiver muito ruim, considere avaliação médica (apneia, TRH, CBT-I).
Aviso importante
Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação individualizada. Procure seu médico para decisões de tratamento.

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