Visão geral rápida
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Menopausa: 12 meses consecutivos sem menstruar, após queda definitiva da função ovariana.
Diagnóstico: geralmente clínico em mulheres ≥45 anos com sintomas; exames hormonais ajudam em casos específicos (histerectomia, uso de anticoncepcionais, <45 anos, sintomas atípicos).
Os hormônios que mais “entregam” a menopausa
| Hormônio | O que acontece | Por que importa | Observações úteis |
|---|---|---|---|
| FSH (hormônio folículo-estimulante) | Sobe | O ovário responde menos → hipófise aumenta FSH para “estimular” | Valores costumam ficar elevados na menopausa; um único resultado isolado pode oscilar. |
| LH (hormônio luteinizante) | Sobe (menos marcante que FSH) | Sobe junto com FSH | Útil como coadjuvante, não é o melhor marcador isolado. |
| Estradiol (E2) | Cai | Menos produção ovariana | Em pós-menopausa, tende a níveis baixos; laboratórios têm faixas diferentes. |
| AMH (hormônio anti-mülleriano) | Cai até indetectável | Reflete reserva ovariana | Ajuda a mostrar esgotamento da reserva; não é teste de rotina para diagnosticar menopausa. |
| Inibina B | Cai | Outro marcador de reserva ovariana | Pouco disponível; mais usado em pesquisa/fertilidade. |
| Progesterona | Baixa | Ciclos anovulatórios na transição | Varia muito e não confirma menopausa sozinha. |
O que faz cada hormônio na prática?
Para entender melhor os exames, veja a função de cada hormônio envolvido na menopausa:
| Hormônio | O que é | Função principal no corpo da mulher | O que muda na menopausa |
|---|---|---|---|
| FSH (Hormônio Folículo-Estimulante) | Produzido pela hipófise | Estimula o crescimento dos folículos (óvulos imaturos) e a produção de estrogênio | Sobe muito, porque os ovários deixam de responder |
| LH (Hormônio Luteinizante) | Produzido pela hipófise | Desencadeia a ovulação e ajuda a formar o corpo lúteo (que produz progesterona) | Também sobe, mas menos que o FSH, já que não há mais ovulação |
| Estradiol (E2) | Principal tipo de estrogênio, feito pelos ovários | Regula o ciclo menstrual, mantém ossos, pele, coração e mucosa vaginal saudáveis | Cai de forma acentuada, causando sintomas típicos (ondas de calor, secura, insônia) |
| AMH (Hormônio Anti-Mülleriano) | Produzido pelos folículos ovarianos | Indica a reserva ovariana (quantos folículos ainda existem) | Torna-se indetectável, mostrando que não há mais óvulos disponíveis |
| Inibina B | Proteína dos folículos em crescimento | Regula a liberação de FSH, equilibrando o ciclo | Cai para níveis baixos, confirmando o esgotamento ovariano |
| Progesterona | Produzida após a ovulação, pelo corpo lúteo | Prepara o útero para gravidez, regula a segunda fase do ciclo e influencia o sono | Fica constantemente baixa, pois não há mais ovulação |
O estrogênio também protege os ossos, por isso sua queda está ligada ao risco de osteoporose. Leia mais em A Menopausa Aumenta o Risco de Osteoporose? como prevenir a perda óssea.
Quando pedir exames (e quando não precisa)
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Geralmente NÃO precisa em mulheres ≥45 anos com ondas de calor, irregularidade/ausência de menstruação e outros sintomas típicos — o diagnóstico é clínico.
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Vale pedir se você:
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Tem menos de 45 anos e sintomas (descartar menopausa precoce/insuficiência ovariana primária).
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Não menstrua por DIU hormonal ou usa anticoncepcionais (a menstruação fica “mascarada”).
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Retirou o útero (histerectomia) e não tem sangramento para acompanhar.
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Tem sintomas atípicos ou precisa definir elegibilidade para terapia hormonal.
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Situações especiais que mudam a leitura
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Anticoncepcional combinado (pílula/anel/adesivo): costuma suprimir FSH/E2 → pode “falsear” a interpretação. Converse sobre pausa temporária antes de dosar (conduta individual).
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DIU de levonorgestrel: pode tirar a menstruação sem ser menopausa; FSH/estradiol ajudam a esclarecer.
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Histerectomia (ovários preservados): use sintomas + FSH/E2/AMH para orientar.
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Doenças da tireoide e hiperprolactinemia: podem imitar sintomas e bagunçar ciclos → TSH/T4 e prolactina podem entrar na investigação (não são “hormônios da menopausa”, mas ajudam a descartar outras causas).
Como interpretar, na prática
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História + sintomas (ondas de calor, ciclos espaçados, secura vaginal, alterações de sono/humor).
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FSH alto de forma persistente + estradiol baixo reforçam menopausa/pós-menopausa.
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AMH muito baixo/indetectável apoia baixa reserva, mas não substitui FSH/E2 no diagnóstico.
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Repita a coleta se o resultado não “bate” com seus sintomas (há oscilações na perimenopausa).
Dicas antes da coleta
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Prefira colher de manhã e informe medicações hormonais (pílula, TH, injetáveis, implantes).
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Evite suplementos/fitoterápicos novos na semana da coleta sem orientação.
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Leve anotações do ciclo (quando teve o último sangramento) e lista de sintomas.
Perguntas frequentes (FAQ)
1) Um único exame confirma menopausa?
Geralmente, não. Na transição, FSH e estradiol oscilam; o conjunto sintomas + histórico + exames é que conta.
2) Qual exame é “o principal”?
O FSH é o mais usado para apoiar o diagnóstico, ao lado do estradiol. AMH e inibina B ajudam a avaliar reserva, mas não são de rotina para diagnosticar menopausa.
3) Tenho DIU e não menstruo. Como saber?
Nesses casos, o médico costuma avaliar sintomas e pode solicitar FSH/estradiol. Às vezes é preciso repetir.
4) Menopausa antes dos 40 é possível?
Sim. Chama-se insuficiência ovariana primária. Costuma requerer FSH elevado em duas coletas (semanas de intervalo), estradiol baixo e avaliação especializada.
5) Precisa jejum?
Para esses hormônios, geralmente não. Siga as instruções do laboratório.
Conclusão
Para a maioria das mulheres, menopausa é um diagnóstico clínico. Exames hormonais (especialmente FSH e estradiol) confirmam e esclarecem em situações específicas. Se você está nessa fase, procure acompanhamento para discutir terapias, nutrição, exercício, sono e saúde mental — o cuidado certo transforma sua qualidade de vida.
Aviso importante: conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Procure seu ginecologista para avaliação individualizada.
Veja também O que é a Menopausa e como identificá-la?

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